Tem coisas muito sombrias dentro de nós. Quando acontece isso de "expandir a percepção" podemos ver camadas mais profundas da realidade, começamos a ver camadas mais profundas de nós mesmos, aí a gente projeta tudo e vê no mundo o que temos lá dentro. Dá pra imaginar que o "real" é um espelho: vemos tanto fora o quanto conseguimos ver dentro. O que ele falou lá no twitter me lembrou muito uma época que eu tive crises de pânico, porque eu via coisas que não era capaz de suportar, de processar (como tinha muita coisa indigesta dentro de mim eu via isso o tempo todo no que estava fora de mim).
E veja só: expandir a percepção não necessariamente é expandir a consciência. A iniciação no "conhecimento" implica em muito trabalho interno, em buscar se conhecer e ultrapassar estados mentais e emocionais, isso significa muita morte. E tenho visto muita confusão nessa parte... Assim como no tarô a morte é necessária pra chegar nos arcanos maiores, é necessário que passemos pelo processo de morte pra expandir a consciência. Imagina sentir isso, sentir a necessidade de morrer, saber no fundo do seu ser que isso é necessário, mas não ter compreensão de que isso não é algo material? Não saber como fazer isso e enlouquecer vendo coisas que não suporta mais? Fica tudo muito confuso. Não é por nada que o conhecimento é hermético: não se deve buscar e saber coisas que ainda não se está preparado pra conhecer... Aí entramos no paradigma de como as pessoas "veem" o conhecimento, o conhecer, o buscar conhecer. Contextos e escalas diferentes vão exigir terminologias diferentes, e cabe a quem busca disseminar determinados pontos de vista entender quem é seu público alvo, qual seu objetivo e como comunicar, né?
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A brisa da linguagem é outra coisa fenomenal. Precisa de um quê de atenção plena, sensibilidade e portanto muita empatia, tanto pra entender a si (compreendendo como você próprio vê o conhecimento) como pra comunicar (buscando entender o que o outro sabe e busca saber, qual o significado e o uso do conhecimento pra ele).
Tem umas contradições internas dentro de mim ultimamente que me levam pra essa foz da linguagem. Estudo algo que é denso e majoritariamente abordado de forma difícil de entender ("prolixo" até quando não precisa). Aí... Como externar ideias que borbulham em mim se não sei como torná-las acessíveis? Compreensíveis? Traduzir... Como o que eu pesquiso vai ter sentido se não fizer sentido pra quem lê?
Acho que entender um pouco do quão complexo algo possa ser é um caminho gostosíssimo pra curiosidade. Mas isso é a minha forma de olhar pro conhecimento. Afinal, por que a globalidade atual olharia e questionaria a monogamia? Talvez entendendo as formas de pensar de muitas pessoas seja mais tranquilo "converter" ideias para um formato mais acessível. (Tipo mudar de livro pra filme... Ou de poemas para romances). Nem sei mais o que eu to falando aqui...