11.20.2020

Mensagens

Tem coisas muito sombrias dentro de nós. Quando acontece isso de "expandir a percepção" podemos ver camadas mais profundas da realidade, começamos a ver camadas mais profundas de nós mesmos, aí a gente projeta tudo e vê no mundo o que temos lá dentro. Dá pra imaginar que o "real" é um espelho: vemos tanto fora o quanto conseguimos ver dentro. O que ele falou lá no twitter me lembrou muito uma época que eu tive crises de pânico, porque eu via coisas que não era capaz de suportar, de processar (como tinha muita coisa indigesta dentro de mim eu via isso o tempo todo no que estava fora de mim). 

E veja só: expandir a percepção não necessariamente é expandir a consciência. A iniciação no "conhecimento" implica em muito trabalho interno, em buscar se conhecer e ultrapassar estados mentais e emocionais, isso significa muita morte. E tenho visto muita confusão nessa parte... Assim como no tarô a morte é necessária pra chegar nos arcanos maiores, é necessário que passemos pelo processo de morte pra expandir a consciência. Imagina sentir isso, sentir a necessidade de morrer, saber no fundo do seu ser que isso é necessário, mas não ter compreensão de que isso não é algo material? Não saber como fazer isso e enlouquecer vendo coisas que não suporta mais? Fica tudo muito confuso. Não é por nada que o conhecimento é hermético: não se deve buscar e saber coisas que ainda não se está preparado pra conhecer... Aí entramos no paradigma de como as pessoas "veem" o conhecimento, o conhecer, o buscar conhecer. Contextos e escalas diferentes vão exigir terminologias diferentes, e cabe a quem busca disseminar determinados pontos de vista entender quem é seu público alvo, qual seu objetivo e como comunicar, né?

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A brisa da linguagem é outra coisa fenomenal. Precisa de um quê de atenção plena, sensibilidade e portanto muita empatia, tanto pra entender a si (compreendendo como você próprio vê o conhecimento) como pra comunicar (buscando entender o que o outro sabe e busca saber, qual o significado e o uso do conhecimento pra ele).

Tem umas contradições internas dentro de mim ultimamente que me levam pra essa foz da linguagem. Estudo algo que é denso e majoritariamente abordado de forma difícil de entender ("prolixo" até quando não precisa). Aí... Como externar ideias que borbulham em mim se não sei como torná-las acessíveis? Compreensíveis? Traduzir... Como o que eu pesquiso vai ter sentido se não fizer sentido pra quem lê?

Acho que entender um pouco do quão complexo algo possa ser é um caminho gostosíssimo pra curiosidade. Mas isso é a minha forma de olhar pro conhecimento. Afinal, por que a globalidade atual olharia e questionaria a monogamia? Talvez entendendo as formas de pensar de muitas pessoas seja mais tranquilo "converter" ideias para um formato mais acessível. (Tipo mudar de livro pra filme... Ou de poemas para romances). Nem sei mais o que eu to falando aqui...


9.29.2020

Brisa de Primavera

Quando paro para refletir sobre como a cultura japonesa percebe o espaço-tempo, o aqui=agora, percebo que tenho uma forma de percebê-lo também. 

Percebo que o que eu aprendi - inconscientemente, porém produto de uma hegemonia de pensamentos e discursos - é diferente deles.

Que o significado dado por eles é incrível, é algo que faz sentido pra mim, que consigo sentir/imaginar e coloca em perspectiva o como eu sinto a realidade. 

O pacto com as significações é tão subliminar...

E é na diferenciação dos lugares, no colocar-se no lugar do outro, que percebo minhas próprias crenças. A autoconsciência caminha junto da consciência social, da consciência inter-subjetiva, daquilo que há além de mim.

Como optei por algo se aquele algo era o único conhecido? O único explicado, o "globalmente" aceito?

Como perceber as hegemonias de pensamento se não aparecem nas significações cotidianas algo diferente? Algo que me mova?

Ou será que meus olhos de antes não conseguiam notar essa diferença, e ela sempre esteve ali, como entrelinhas para uma reinterpretação da realidade?

A linguagem...

Não consigo entender fatias da cebola que estão distantes de mim. O hermetismo. Não consigo visulumbrar as entrelinhas porque não há nitidez suficiente para entende-las ainda, ou, mesmo que as veja, não consigo traduzi-las.

É como uma pulga atrás da orelha. Tenho uma sensação... Como um leve toque de uma brisa de primavera. Sei que algo está por vir, mas não sei dizer como sei, por que sei. Só sinto. Já passei por isso antes, reconheço a sensação, e, ainda assim, uma ansiedade me consome por querer já chegar onde ainda não estou pronta para ir. E tem isso também, sei (e só sei) que preciso me preparar, me instrumentalizar, me fortalecer, porque o que preciso conhecer está além do que consigo entender agora.

Sinto que há algo para ser desvelado, entrelinhas a serem interpretadas, sentidos ocultos que surgem no entrelaçar das diversas informações que entro em contato. Como as ondas bineurais: não é algo em si, é algo construído no conjunto, na harmonia e sublimação de coisas distintas que criam algo novo (ou que, pelo menos, me possibilitam vê-lo).

 

Pensamentos concomitantes, coincidências, séries, Musubi, romances, Rubem Alves e Ulisses... É gostoso sentir esse fluxo.

9.05.2020

A Consciência

Tenho lido muito. Epistemologia, ensino, docência. Hoje li notícias, postagens de redes sociais. Mas as palavras que saem de mim... Tão frágeis, tão inconscientes.

Nem sei quantos dias faz que meu diário apenas serve de mousepad. Desenhos nunca nem vi. Me sinto presa.

Sei que ir pra casa talvez ajude nisso, sei que quando terminarmos a mudança um novo tempo vai começar. Mas será que não posso fazer nada até lá? Vou permanecer sem expressão?

Tenho gostado de alguns hábitos, como da alimentação e do treino. Só que é só isso. Mesmo tendo psicóloga toda semana não sinto crescimento interno. Me sinto externa, material, rasa. 

Claro que não tocar as profundidades dá algum tipo de estabilidade. A lua cheia em peixes veio me jogar na cara como isso é uma completa mentira. Oscilação, raiva, egoísmo. Até mais do que a preguiça, meu sempre considerado mal maior...

O que me resguarda um pouco de diálogo interno por enquanto é o livro do Buda e meus momentos de respiração profunda. É algo. Talvez um ponto de partida, sementes.

Eu quero ter mais constância, mais profundidade, mais dedicação com o trabalho interno. Rogo para que tenha forças de recomeçar e continuar essa jornada.

1.25.2020

Nós

Tecendo
à dois

Não é sobre apego
ou posse
É sobre tecer laços

Cada esquina da nossa caminhada
um nó
Quantos deles teremos que refazer?
Quantos ficarão tão fortes, que vão determinar nosso desenho?
Nosso destino?

Entrelaçados
seguimos
Nós E mais nós
num ritmo assombroso
Cheio de sinuosidades e de inconsciência
Cheio dos próprios nós que tecemos internamente

Nossa bagunça lá de dentro
Construindo a peça que nos tornar-emos
Conseguiremos desembaraçar
as dores que ficaram lá atrás?