10.10.2021
Ansiedade
que desfoca... o tempo.
Uma confusão com o que se é
Por que, afinal, o que somos
se não um infinito presente?
Aí tem essa tensão.
Um descompasso...
A sensação de angústia,
um instinto de renúncia
Dessa repetição exaustiva.
Aquela aflição,
daninha,
que se infiltra nos detalhes de cada dia...
Basta um pequeno deslize.
Uma desatenção
E já começou... de novo
O axioma do porvir
No desagrado de sentir
Que ainda é hoje
E sempre vai ser.
9.24.2021
Lapso
De dilatação do tempo...
Não.
Saudade de saber
Que compartilhei um momento
Onde a percepção mudou;
Afinal, nunca foi
O tempo
Que dilatou...
Sempre foi essa paixão,
Um tipo de conexão
Profunda,
Que só acontece
Quando te sinto
Dentro de mim.
9.15.2021
Romance
Pode parecer coisa boba,
Essa vontade toda que tenho
De todo dia acordar você.
Juro que não é só em você que penso!
Me dedico com muito carinho
À todos esses pedacinhos do dia
Que cobram minha atenção.
Mas... você...
Talvez seja idealização, quem dirá
Talvez até ilusão.
Nessa loucura desses tempos
Que mal faria se fosse?
E algo em mim sempre diz que não.
Que não é mentira;
Que você me ama,
Como eu te amo.
E que outras palavras mais eu poderia escrever
Pra caber o tanto de vontade que me dá
De viver... pensar em você, ah!
Logo a gente se encontra
Te amo.
8.14.2021
Portas
É perceber sensações
Conexões entre ideias
Se dar conta que capturou algo
E se esforçar ao máximo
Pra não perder por aí
Essa... AH.. força pra não deixar o laço se desfazer
Buscar algo pra agarrar
E deixar lá, descansando,
Até que eu possa voltar e continuar
Epifanias arquivadas... É.
Só as vezes a sensação
É de que
Não foi eu quem fizera o arquivamento...
Ou ao menos, não lembro
Essa outra coisa que grava coisas em mim
Sou eu também?
8.11.2021
Queda
algo como,
memórias inquietas,
revoltas... inevitáveis
que estragam
essas instáveis linhas
entre o que sou, o que quero
e o que penso.
As aspirações internas logo se...
despedaçam.
e por que é tão facil se perder?
São fraternas as vontades,
possibilidades de começar
de novo e de novo...
Tudo que já disse que queria,
tudo que já escrevi, que já fiz,
tudo o que já poderia ter feito.
E me resta esse deleite,
um vislumbre de que sei o que faço;
de que sei que me perco,
de que aceito que esqueço
nesses minúsculos espaço-tempo de escolhas...
Abandono meus propósitos,
abandono à mim.
Tão momentâneo, tão sorrateiro,
tão certeiro esse pânico
de que se repete a narrativa
onde rompi minha própria
expectativa
E no fim o que me resta
é essa crítica auto ifingida,
(outro vulto que me alucina)
essa tortura silenciosa
que me submeto
todos os dias.
8.04.2021
Semipleno
Sentidos encontrados numa espontaneidade,
ainda que no meio dessa virtualidade toda,
me faz navegar nesses relances de inspiração.
São aquelas sinfonias escondidas,
Que, de quando em vez, são percebidas nessa coisa recíproca
Aí... O tempo se evapora todinho.
E é tudo muito gostoso,
tão gostoso que deixa aquele gosto
Quero continuar esse fluxo de pensamentos sincronizados.
Quero me encontrar em você,
nesses passeios de ideias... nessas aleatoriedade cotidianas,
nesses resgates de partes de mim, ocasionados no toque singelo que faço em ti.
Momentos que me levam aos sorrisos sinceros,
ideias que me conduzem àqueles mundos internos....
Translúcidas imagens de sentimentos que me...
reanimam,
8.03.2021
Ciência
Algo sobre... sonhos. São produtos de vivências e experiências assimiladas enquanto acordados, misturadas a n fatores da própria subjetividade. Incluem códigos, interpretações, sentimentos. Sem serem objetos de análise contínua podem ser comumente esquecidos: sem maiores significações pelo sonhador. Mas não é por que não se lembra e nem por que não entende que o sonho não esteja lá, e que não seja porta de entrada pra milhares de perspectivas sobre si mesmo.
Assim é o conhecimento: um algo construído a partir do que se vive, codificado entre as subjetividades e as linguagens humanas. Metamorfosiamos a experiência em cadeias de pensamentos, codificados os raciocínios tentamos colocar pra fora, de forma que outro alguém possa entender. Refutar, complementar...
E é um caminho tortuso: assimilar, transformar, codificar, comunicar... tanto se perde nisso tudo, tanto se constrói... Ah. A mente humana, a memória, o tempo
Não seria a endeusificação da ciência uma busca por "fortes", por bases sólidas que nos orientem no meio de tanta confusão? Confusão, primariamente, mental. Confusão que começa na dúvida da existência - seja das coisas, seja de si... papel já tão exercido pelas religioes mundo afora... Uma busca coletiva por conhecimento que desemboca na subjetividade... Não sei. Difícil acompanhar esse fluxo de ideias
7.14.2021
Paixão
Claro que aquelas profundidades aleatórias, meu quê filosófico pra vida sempre esteve ali. Mas eu não era apaixonada, entende?
Essas ideias aí vem do jeito que eu ando me julgando ultimamente. Releio coisas minhas e parece que minha "escala" de percepção, observação, sei lá, tem se reduzido... limitado, talvez? Parece que só quero falar de você. Mas não é... Não é isso. Eu falo e penso sobre muita coisa além de você. Só que lá no fim do dia, naquele vazio (como sempre, nada silencioso) antes de dormir, as ideias vão seguindo um fluxo tão natural... e parece que esse fluxo já é tão naturalmente ligado à você
Aí vem: insegurança, projeção, auto-julgamento. Ansiedade, euforia, melancolia. Meu lado crítico fica confuso, não sei se está tudo bem pensar nessas coisas e me abstrair desse cotidiano estranho, não sei até que ponto é noia ou não é; não sei se deveria só tentar parar e aproveitar as memórias boas que compartilho contigo. E no fim é só um "aff, que saco, tô entrando nisso de novo".
Aí toca música romântica na tv e eu me identifico. O deezer coloca uns sinatra pra tocar no meu aleatório e eu me identifico. Chega um afrobeat numa brisa meio jazz e adivinha o que passa na minha cabeça?
Será que eu não me importo mais com aquelas ideias todas de revolução? Ah. Eu era tão empolgada! Tão... cheia de ideias. E de atitudes também.
Tá. Eu sei que a realidade trás impedimentos, não tô querendo falar aqui das possibilidades concretas de se fazer coisas. É sobre um impulso interno. Vontade de alimentar pensamentos dentro de mim. E sei que você entende bem essa sensação de "foda-se, não tem nada que a gente possa realmente fazer". Só que... Ah...! Isso é muito recente pra mim. É estranho. Antes as coisas coletivas a nível global eram um maravilhoso combustível pra eu cumprir tarefas diárias. Agora... Ah. Agora é diferente. E eu tenho motivação sabe. Cheia de ambições? Só que me sinto... boba... tipo alvo de julgamentos que tempos atrás eu jogava ao vento.
Agora tenho que aceitar que ouço forró, axé, pagode e músicas de paixão e... me... identifico......
Sei lá.
Não tô reclamando.
Mas ando me julgando bastante, e isso não faz muito bem... Não aceito dentro de mim muito bem tudo que tá acontecendo. Mas fazer o que, né. Ao menos é recíproco (e tudo que me resta é acreditar nessa faísca de coisa etérea, abstrata, subjetiva, sentimental...)
Se antes era indignação e impotência que me agoniavam, agora é impossibilidade e insegurança. A diferença é que aquele limiar futuro ("horizontes") agora me traz uma tranquilidade que aquela vontade de revolucionar tudo não trazia. Não é uma certeza (longe disso), mas é algo tipo isso (Sim, tô confusa). Não tinha realmente alguém do outro lado, entre eu e o mundo, que correspondesse meus sentimentos - se é que me entende. Ao menos... Agora... sei lá. Acho que me sinto... bem.
7.06.2021
Indigestão
Lamento, querendo encontrar - novamente
Aquele momento de epifania.
Mas é como uma ironia, confusa,
Porque o medo me consome
antes dela chegar.
Me nego à fluidez dos dias
Me entregando aos vícios dessas fugas...
Apesar de lembrar que me condicionei à isso porque quis
É sinuoso, por que, em partes
Tem detalhes que parecem respostas
À pedidos que faço antes de dormir.
E se quem pediu não entendia,
E agora fecham-se as portas
Pra caminhos que eu sempre quis seguir?
Tem uma covardia,
Que escondo atrás de "empatia",
E é ótima a justificativa
De que faço porque amo.
Mas que amor é esse,
Se escondo o quanto sofro,
Pra evitar o desconforto
De admitir o que não quero?
É que talvez... se esconder o suficiente, até de mim mesma, o enredo se desfaça e os eventos fluam praquele clímax gostoso. (Como é fácil se enganar).
Logo chega a hora de fazer o necessário. Logo chega a hora irremediável, o labirinto me levando praquele desfecho desconfortável...
Minto. Eu chegando nas encruzilhadas a partir de caminhos que eu própria trilhei. Como pesam as decisões... as escolhas... Ah. Que frio na barriga. Tempo de mudanças que diz, né?
3.30.2021
Borboletas
E jamais individual(ista)
Os momentos que surgem faíscas de transcendência são bem mais numerosos quando compartilhados. Foram mais intensos também. Algo como... "te encontro nesse ponto aqui, ao meu lado, nesse momentâneo frame de existência, e contigo senti minha percepção da realidade mudar"
Partilhar a existência. Na felicidade e na tristeza, na saúde e na doença... E será que sempre sei quando partilho ou não? Será que controlo o quando absorvo ou não?
É paradoxal, porque, ainda que sejamos um todo - eu, você, o meio - somos partes únicas inteiras. E essa sensação de transcendência só acontece quando junto do todo, quando em contato com um intangível que vai muito além de mim - mas que só sinto dentro. Sei que está no outro por olhares, palavras, gestos. Mas, ainda assim, é de uma abstração e subjetividade tão densos que não respondem a unicidade da existência. Não respondem esse contraponto entre eu ser um todo e você ser um todo mas sermos, juntos, um só.
3.02.2021
Estasia
2.18.2021
Clímax
Lembro que quando não conseguia escrever me expressava com aquilo que escutava. Ferrugem, Debussy e Yusef Lateef tem sido o que mais tenho escutado nas últimas semanas - e tenho escutado pouquíssimo (o que será que isso diz?)
Tem um prazer que é super inerente ao cotidiano "produtivo": meus melhores momentos de contemplação das músicas (que me propiciavam essa expressão toda que a verbalização não dava conta) aconteceram em períodos corridos, cheio de compromissos, cheio de missões diárias cumpridas. Podia ser cinco minutos, podia ser meia hora... A sensação de "presença" me inundava toda, me fazia entrar num lapso temporal de não pensar, não problematizar, não ansiar pelas coisas que estavam por vir. Só estava ali, contemplando.
Pela lógica, se não tenho tido esse pacote de "missões diárias cumpridas", logo, nada de transcendência contemplativa. Mas será que tinha um condicionante só pra esse fim?
Gosto de mencionar a paixão pela primavera.
Outro dia numa parada de ônibus passou por mim uma borboleta branca, enorme. Me deu esse lapso contemplativo. Foi gostoso. Ontem também, aqui na praia, passou uma borboleta, branca, mas pequena, que me remeteu ao lapso - e aí gerou outro lapso, e os lapsos vão se conectando...
A primavera já passou. Ainda assim, sinto a paixão...
E talvez esse seja um ingrediente tão importante quanto as missões diárias cumpridas. Esse ânimo tão específico, que dá tanta vida, tanta emoção! Só que junto da emoção acabam chegando os desequilíbrios também. É aquilo, seja tempestade, seja calmaria, coisas maravilhosas e desafiantes acabam batendo. Muita coisa tá batendo em mim agora. Não que sempre tivessem várias coisas, só que a sensação dos caminhos se bifurcando tá chegando, tá se acomodando. Borboletas...