segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Emotional Intelligence

"Can I ask something?"

"No, I'm pissed now." 

This could be said in a polite tone - no doubt. But managing one's own tone when mad is quite rare around here. So I listen. And I stay quiet. I give some more space for him:

"Imagine if you didn't shut it down..."

And the same words, full of rage, come again. 

"Can you believe that this is not the first time someone says those things to me?", I say, calmly.

More rage.

"I'm so thankful that you were here."

And more rage.

He wanted to argue that "the shock" (meaning: telling me "what's right" in an emotional altered tone, over and over again) is "the way" of changing someone else's behavior. 

I disagreed. It's simply not true. But he wasn't there to talk. He was there to preach. And he did.

And I listened.

I gave it some time, poured a bit of the food, said I was thankful for everything and that it wouldn't happen again. Kindly.

Just being there was heavy. Hard to describe. Well, he was the reason I didn't leave the room in the first place. Today I had a little piece of his "directed emotional attention", I guess.

There was so much anger in that man. So much hate. He truly believed that talking to me like that, using that tone and repeating over and over was the right thing to do. 

I had noticed already he hasn't been open for talking sessions - even when nothing was apparently "bothering" him. That rage is not just about what happened. Or about me. Is bigger than that. Somehow I'm pretty sure of it but I can't explain why. 

I'm happy with my response. How I answered, how I listened, how I addressed. It took tons of self regulation, on spot. No rest, no prep. I guess all that social-emotional studies were good for something after all...


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What I wanted to ask:

"How long does it take for you to let this anger go? How long does it take for you to forgive me?"

You can be upset about anything I do, yet, it doesn't give you the right to preach me. It doesn't matter if I'm under your roof, even if I was your daughter. I wonder how you could learn that... 

No feeling allows you to throw your emotions towards someone. 

That's not "teaching". That's regurgitating. 

I'm being respectful and listening because I think this is the best thing to do in the moment - since you're not open to talk at all and this behavior seems to be a constant from you.

As I wanted to say, but you didn't let me say it: I believe people can change. I really do. There's always something to be learned. And there's lots and lots of paths for that to happen. I'm open to change and I really am grateful for the opportunity of learning (or "unlearning") behaviors.

I wish you could see yourself a bit more, and actually listen to others. It would be so good for your family. And God knows to what else...


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Extra: His wife cleaned up the mess. As I got to the kitchen she was finishing it. I asked if it was from what I left there, and she complied. And I thanked her. "No problem". And that was it. And she left. She knew what was coming - she knows her husband. And she remained away and quiet. She looked tired from the day already, but she cleaned up my mess and didn't bother for it. Even if she was upset about something. she restrained it. She didn't throw up any emotions on me.

Well, as a grown-up woman I felt like I was facing a battle while listening to that man. A battle to keep myself unharmed by the hatred spilled in between words. Reacting would be way easier, but all that anger wasn't mine. Nothing had happened. Everything was safe and sound. If he wanted to be pissed of by it that's not on me. His feelings are his and I don't need to respond emotionally to it. Even though I could sense all that anger he wasn't disrespectful through his words. He knows how to do it. Manipulate other's feelings with harmful tone instead of harmful words.

Even if I was upset about anything I wouldn't show him my innermost feelings -  and that was my defense. My passive attack was reassuring him that I understood what he said, acknowledging, repeating, showing I was giving space for thought and realizing the situation with his lens, plus my own reflections about my behavior. Always recognizing how wrong I was and how terrible that situation could have been.

I imagine how this aggressive and manipulative behavior, from a grown-up man, would be felt by a little kid... 

Nothing like living with in-laws to understand a husband better.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Reconexão

"Se você não lembra quem você é, como pode estar cumprindo seu propósito?"

Toda narrativa de mundo é uma narrativa de si.

 Ao narrar, muito do "si" se torna evidente:

Vocabulário, repertório,

lugar em que nasceu no mundo.

Vieses, medos, anseios.

Idade. Rotinas.

Vícios.

Intenções.

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O que é priorizado naquilo que compartilhamos diz muito sobre nós, nossos propósitos, nossa identidade.

A narrativa permite expressarmos tanto de quem somos... Mesmo quando esse não é o objetivo. Mesmo quando a intenção é descrever o "momento presente". Por entre as palavras, as frases, as pausas; o que é destacado e o que é ocultado, partes de nós podem se tornar visíveis para quem observar.

E quando se observa a si?

Tive a epifania de que a auto-narrativa é inevitavelmente um processo (trans)formador. A disciplina de escrever as próprias perspectivas constrói inevitavelmente caminhos reflexivos sobre si, como albums que reacendem memórias por conterem retratos de um momento em específico. Memórias revividas no percorrer da narrativa - no pensamento alargado, demorado. Aí o "não-dito" se sobressai por um elemento crucial para observar a sociedade hoje: atenção.

Cultivar a presença...

E recentemente tenho retornado com frequência para antigos escritos meus. Toquei partes de mim - em outro tempo. Senti compaixão por ela. Por ela(s). Por mim.

Toda forma humana de responder à realidade é conectada ao acesso que se tem da história de si. 

Memórias não necessariamente "conscientes", e não digo memória como "informação". A memória humana relies on emoções e crenças - não há lembrança que não esteja embebida no contexto identitário e biológico do momento presente. 

Seja contexto histórico, sejam vieses cognitivos: nós não existimos sem um território. 

Identidade e território... Como se (re)territorializar? Tomar a si mesmo como objeto de observação e análise tem de fato "consequências formativas"? Se sim, como mensurar?


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Novas lentes tem me ajudado muito recentemente. Tzolkin e Qigong. Lentes que se tornam "disponíveis" para olhar pra realidade através de um cultivo diário. Lentes que acabam alterando a própria experiência existencial e projeção da "imagem" de mundo (vide "Eles vivem", de 1988).

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Acabo encontrando refúgio nas palavras de outrem, como com as reflexões de Susan¹

"Esses mortos se mostram completamente desinteressados pelos vivos: por aqueles que tiraram suas vidas; por testemunhas - e por nós. Por que deveriam procurar o nosso olhar? 'Nós' - esse 'nós' é qualquer um que nunca passou por nada parecido com o que eles sofreram - não compreendemos. Nós não percebemos. Não podemos imaginar como é pavorosa, como é aterradora a guerra; e como ela se torna normal. Não podemos compreender, não podemos imaginar. [...]" 

¹SONTAG, S. Diante da dor dos outros. Tradução Rubens Figueiredo. São Paulo: Companhia das Letras, 2025.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Agnes

 Era uma vez uma flor.

Seu nome era Agnes, e sua vida começou quando era apenas uma semente. Veja, há diversas oportunidades para uma semente. Dentre tudo no mundo que poderia ter, Agnes conheceu a terra macia de um pequeno vaso. Envolta em umidade e escuridão, seu primeiro sopro de vida foi buscar a luz - e isso foi uma tarefa árdua.

 De tanta força que fez Agnes ficou alta. Ela se sentia muito descompensada, não conseguia parar em pé. Precisou de uma muleta. 

Aquela muleta a acompanhou por muito tempo, talvez (provavelmente) mais do que o necessário. Seus pais eram superprotetores, e era a primeira vez que eles tinham uma Agnes. Como pais de primeira viagem (não tão bem informados) demoraram para entender que ela já era grandinha e precisava de um vaso maior. Até que o novo vaso chegou.

Às vezes a vida faz disso: mexe tanto com a gente que murchamos, perdemos o brilho, parecemos tão frágeis que há quem suponha que não vamos conseguir. Bastava uma boa noite de sono (toda aquela luz podia ser muito estressante...) ou um bom fole d'água e Agnes se reerguia, sempre esbelta e cheirosa.

Não foi fácil mudar de vaso. O conforto de antes mantinha tudo estável, não gerando preocupações. Mas foi o caos da mudança que a fez crescer.

Os dias foram passando... E seus pais foram ficando mais ausentes. Esqueciam de pô-la no sol, ou esqueciam da água... E sem esse amor diário Agnes estagnou. Talvez quisesse florir e não conseguia, não tinha como saber.

Agnes, mesmo assim, resistia. Se reerguia a cada dia, cheia de sede de viver.

Mas Agnes não chegou a florir.

Jamais saberemos o que seria dela. Sabemos apenas que sua existência foi um ato de resistência, regado à amor e rebeldia.

Agnes virou sacrifício. Seus pais conversaram e decidiram que era a melhor opção.

É que nem todas as plantas tem o direito de viver nesse mundo - e Agnes era uma delas. Não era culpa dos pais a discriminação, mas eles seriam culpados caso Agnes fosse descoberta.

A semente já vem ao mundo com o propósito de ser semeada, e assim foi Agnes, quase sem querer. 

E por que será do motivo que algumas plantas possam viver e outras não?

A semeadura, na noite escura, é rebeldia esculpida no concreto moderno. Força e resistência permeiam a jornada da planta, que renasce e se adapta a cada mudança de habitat.

E quem não resiste... Perece.

Não pereçamos, ainda.

Agnes encontrou seu propósito no sacrifício.

Em que encontraremos o nosso propósito?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Mirror

If I knew as much as you do about yourself
How would you act?
What would you ask?
How would you feel?

And how could that be possibly real
If the self is something else beyond the perception we have about ourselves?

Then...
Would I see you as you do,
Or would I perceive you as you are?
Would I understand you as you do
Or would I be biased about you as we all are about ourselves?

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Espelho, espelho meu
Quem eu vejo realmente sou eu?

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Sinais

Tem uns finais de tarde que esfria tanto logo que o sol se vai... tem outros dias que o vento é forte, mas não tão gelado. E é uma *mudança tão intensa entre uma parte do dia e outra

E é interessante notar as mudanças no céu porque muitas vezes fazem sentido. Se olhar as previsões, com imagens das massas de ar se movimentado, muito faz sentido. Não é como se fosse previsível cada mínimo detalhe, é mais sobre uma visão do todo *que nos ajuda a nos prepararmos para o que virá.

As vezes parece que a tempestade é repentina.

Talvez seja, na verdade, uma falta de atenção aos movimentos do céu.

Estar alerta é trabalhoso, mas será que vale a pena adormecer? Atordoar-se pra conseguir ignorar a realidade? Esquecer do que é uma tempestade pra em breve sentir medo, desespero, despreparo frente ao que pode acontecer? 

O céu dá sinais. As nuvens, os passaros, a direção do vento. Uma vez que se aprende a observar alguns fenômenos é quase como se eles conversassem com você.

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[Julho de 2022]

sábado, 21 de janeiro de 2023

Momentum

Esses amigos que a gente conquista sem perceber

Esses momentos que desaparecem no turbilhão do dias...

Encolher frente à imensidão, 

Se realizar nos pequenos detalhes,

Pequenas chaves que abrem novas moradias...

Aprender a habitar cada dia.

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[03.07.2022]

sábado, 11 de junho de 2022

Miragem

It's not our experiences the source of our "identity", is it? (The "who we are" thing. Deeply. That inner concept of "being", of "self", or whatever is the correctly or better way to say it... So hard to talk about, it seems). It's what we have chosen to become with those experiences.

Does it make difference to pass through a huge amount of situiations if we don't grow with it? If we don't think about it, we will be changed by either way, possibly without our perception of it. But if we thinkabout it, if we have the courage to look into ourselves, we will choose the path. We can choose, at some level -the direction of who we want to become.


Who am I going to be?

Am I paying attention to myself?