Tem um arrepio que corre.
Tem um arrepio que... Corrói.
Constrói em mim essa dependência.
Quase como um contrato,
que é selado com o o teu toque.
É profano esse laço?
Porque,
esse teu traço delicado
esculpe em mim tantas preces!
Súplicas pela minha entrega,
Como um pecado,
maquiado,
com doces sussurros...
Enlaça meu ser.
Me... convence.
E parece que foram apenas os teus termos
acordados nessa troca.
É por isso que sinto essa sensação criminosa?
11.06.2018
10.25.2018
10.23.2018
Perene ao Momento
Deixar secar a madeira
pra faísca ter propósito.
Mas e se vem a chuva de novo
molhar minhas tímidas certezas?
Já queima em mim a fadiga, amiga
da culpa mal digerida
por ter deixado
passar
Deixar passar as certezas,
pro propósito ser faísca,
em meio a chuva da minha
indigestão?
pra faísca ter propósito.
Mas e se vem a chuva de novo
molhar minhas tímidas certezas?
Já queima em mim a fadiga, amiga
da culpa mal digerida
por ter deixado
passar
Deixar passar as certezas,
pro propósito ser faísca,
em meio a chuva da minha
indigestão?
10.08.2018
Ilusão
Às margens de mim pairou um silêncio.
Contabilizo nele espaços entre ponteiros;
Tento, repenso... Faço do tempo
um tempo de buscar ser.
Ser o que esqueci:
essência de mim.
Se não é o barulho que me inunda,
nem ruídos, nem gritos;
me torno pausa.
A sensação de eco era como tocar na água,
sentindo tudo que ela é capaz de tocar em mim.
Sonoridade beijando minha pele,
a maciez do limo entre rochas,
plenos de sutilidade tão breves..
Mantinham a cor de cada passo.
Eu que me afogo em silêncios,
logo Eu,
peixe de tantos mares,
fico aflita de sentir a prisão da eterna sensação
de afogar-me em mim?
Se o que me mantém na beira
é a cegueira que construí
destituí de mim o tom
que inicia toda a sinfonia.
Agonia (melancolia fictícia sustentando os demônios que corroem o meu Ser)
Contabilizo nele espaços entre ponteiros;
Tento, repenso... Faço do tempo
um tempo de buscar ser.
Ser o que esqueci:
essência de mim.
Se não é o barulho que me inunda,
nem ruídos, nem gritos;
me torno pausa.
A sensação de eco era como tocar na água,
sentindo tudo que ela é capaz de tocar em mim.
Sonoridade beijando minha pele,
a maciez do limo entre rochas,
plenos de sutilidade tão breves..
Mantinham a cor de cada passo.
Eu que me afogo em silêncios,
logo Eu,
peixe de tantos mares,
fico aflita de sentir a prisão da eterna sensação
de afogar-me em mim?
Se o que me mantém na beira
é a cegueira que construí
destituí de mim o tom
que inicia toda a sinfonia.
Agonia (melancolia fictícia sustentando os demônios que corroem o meu Ser)
8.28.2018
Semear
Descobrir e viver as verdades da vida... Tenho precisado muito disso. Não tenho conseguido caminhar muito bem meus próprios caminhos, sei lá. Me sinto tropeçando... Toda hora, e nas mesmas coisas.
E não tenho conseguido me expressar muito bem também. É como se o fluxo de consciência - imaginação, espontaneidade - tenha sido asfixiado de alguma forma. Me pergunto que parcela de culpa que tenho, e a parcela de influência externa nisso. E não sei dizer
Bachelard me tocou quando disse que "ninguém sabe que lendo revivemos nossas tentações de ser poeta. Todo leitor, um pouco apaixonado pela leitura, alimenta e recalca, pela leitura, um desejo de ser escritor. Quando a página lida é bela demais, a modéstia recalca esse desejo. Mas o desejo renasce."
Aí está um prognóstico favorável: o retorno à leitura pode ser ponte para aquilo que está perdido em mim. Lembro que em meses mais criativos (e intuitivos) meus dias eram recheados de densas literaturas. Preciso movimentar meu ser! Novas leituras, novas músicas, novos momentos.
Procuro nos cofres que me cercam brutalmente
Pondo em pânico os sentidos e desordem
Em caixas profundas, profundas
Como se não fossem mais deste mundo.
[Jules Supervielle]
Ao som de Odeon, do Narazeth.
E não tenho conseguido me expressar muito bem também. É como se o fluxo de consciência - imaginação, espontaneidade - tenha sido asfixiado de alguma forma. Me pergunto que parcela de culpa que tenho, e a parcela de influência externa nisso. E não sei dizer
Bachelard me tocou quando disse que "ninguém sabe que lendo revivemos nossas tentações de ser poeta. Todo leitor, um pouco apaixonado pela leitura, alimenta e recalca, pela leitura, um desejo de ser escritor. Quando a página lida é bela demais, a modéstia recalca esse desejo. Mas o desejo renasce."
Aí está um prognóstico favorável: o retorno à leitura pode ser ponte para aquilo que está perdido em mim. Lembro que em meses mais criativos (e intuitivos) meus dias eram recheados de densas literaturas. Preciso movimentar meu ser! Novas leituras, novas músicas, novos momentos.
Procuro nos cofres que me cercam brutalmente
Pondo em pânico os sentidos e desordem
Em caixas profundas, profundas
Como se não fossem mais deste mundo.
[Jules Supervielle]
Ao som de Odeon, do Narazeth.
4.05.2018
Grito de Paz
Tenho sentido que me apaixonei demais pela primavera. O toque novo, de sensações que só ressurgem na época de florescimento.. Um florescimento específico. Aquele da primavera. Mas há tanto que nasce no outono! Assim como há tanto que morre na primavera... Ah!
O paradoxo da paixão (que tem me deixado atônita) é que ela deixa a percepção turva. Acabo não vivendo o outono por ter saudade da primavera. E que coisa, né? O outono tá aqui já. Não posso voltar pra primavera, no seu próprio tempo ela vai voltar. Será que eu me adapto? Será que consigo transformar a minha forma de sentir a nova estação?
Ah..
4.04.2018
Lembranças: Saudade
Me sinto em vários pedacinhos. Não é como se fossem
separáveis, mas sei que são diferentes. E não é como se eu pudesse ter só
alguns ou só outros. São todos ao mesmo tempo, num tom usual que chamo de “eu”.
Tem um pedaço que adoraria um vinho agora. Tem outro que não para de vibrar
toda vez que me lembro da intenção de desenhar. E tem alguns que faltam.
Tenho lembranças das reações deles. Conheço os padrões. Mas
minhas ideias são tão... Previsíveis! Queria ter a sensação espontânea que
aquela parte me dá. A relação estreita com as situações reais; o toque, a fala,
a simples troca de sorrisos. São pedacinhos que, se eu tento colocar outras
coisas, não encaixa. É dissonante. Não consigo criar ou transformar eles com a
onipotência que tenho em relação à tantos outros pedaços tão meus.
Mesmo não tendo nada pra preencher, o vazio não perde a
expectativa. Eu sei que tem o encaixe perfeito: e eu sei que logo mais ele
virá. Ele estará. Mas mesmo com essa certeza (as vezes um tanto quanto
incerta), aquele desgosto, aquela melancolia... Não adianta. Não consigo fazer
sumir. Não dá.
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