Ideias sobre saúde. Refeições nutritivas e regulares, remédios regulares. Atividade física regular, sono regular, exposição regular ao sol.
Ideias sobre paz. Meu corpo, minha família, minha casa. A tranquilidade de que a “segurança sobre a sua propriedade” é garantida.
Ideias sobre comunidade. Interações sociais regulares, com comunidade, com amigos e família, partilhando atividades, ideias, sentimentos. Planos, conquistas, adversidades…
Segundo a pirâmide de Maslow aí estão os três primeiros degraus rumo à autoestima e conseguinte realização pessoal, descritas sob o meu viés do momento presente.
Todos os elementos que constituem os três primeiros degraus (fisiologia, segurança e relacionamentos) dependem de um ambiente externo que seja também estável: acesso à água e comida de qualidade; acesso à atendimento médico, correto diagnóstico e tratamento; condições financeiras de arcar com tudo isso e para realizar a manutenção da casa.
E se o indivíduo está num contexto em que o acesso à esses elementos fundamentais é dificultado? Ou até inacessível?
Tenho estudado pouco, interagido pouco, criado pouco. Pouco em relação ao que já fiz, pouco em relação ao que gostaria de estar fazendo. Muito, em relação ao que há poucos meses fora minha realidade cotidiana.
Apesar da “mudança de ritmo” que tive, vêm à superfície da memória ideias outrora partilhadas e aprofundadas que transformaram minha percepção sobre esse dia a dia humano ocidental, a exemplo da pirâmide ilustrada... Uma "imagem" que provoca reflexões sobre hierarquia e causalidade; sobre exposição à estímulos, formação da identidade, ambiente e cultura; sobre a materialidade da existência humana, o peso da desigualdade e a heterogeneidade das condições de diferentes populações...
Sobre como somos parte de um todo - e que esse "todo" altera substancialmente quem somos e quem podemos nos tornar.
Não há saída individual para uma enfermidade que é coletiva.
Nenhum comentário:
Postar um comentário