Deixar secar a madeira
pra faísca ter propósito.
Mas e se vem a chuva de novo
molhar minhas tímidas certezas?
Já queima em mim a fadiga, amiga
da culpa mal digerida
por ter deixado
passar
Deixar passar as certezas,
pro propósito ser faísca,
em meio a chuva da minha
indigestão?
10.23.2018
10.08.2018
Ilusão
Às margens de mim pairou um silêncio.
Contabilizo nele espaços entre ponteiros;
Tento, repenso... Faço do tempo
um tempo de buscar ser.
Ser o que esqueci:
essência de mim.
Se não é o barulho que me inunda,
nem ruídos, nem gritos;
me torno pausa.
A sensação de eco era como tocar na água,
sentindo tudo que ela é capaz de tocar em mim.
Sonoridade beijando minha pele,
a maciez do limo entre rochas,
plenos de sutilidade tão breves..
Mantinham a cor de cada passo.
Eu que me afogo em silêncios,
logo Eu,
peixe de tantos mares,
fico aflita de sentir a prisão da eterna sensação
de afogar-me em mim?
Se o que me mantém na beira
é a cegueira que construí
destituí de mim o tom
que inicia toda a sinfonia.
Agonia (melancolia fictícia sustentando os demônios que corroem o meu Ser)
Contabilizo nele espaços entre ponteiros;
Tento, repenso... Faço do tempo
um tempo de buscar ser.
Ser o que esqueci:
essência de mim.
Se não é o barulho que me inunda,
nem ruídos, nem gritos;
me torno pausa.
A sensação de eco era como tocar na água,
sentindo tudo que ela é capaz de tocar em mim.
Sonoridade beijando minha pele,
a maciez do limo entre rochas,
plenos de sutilidade tão breves..
Mantinham a cor de cada passo.
Eu que me afogo em silêncios,
logo Eu,
peixe de tantos mares,
fico aflita de sentir a prisão da eterna sensação
de afogar-me em mim?
Se o que me mantém na beira
é a cegueira que construí
destituí de mim o tom
que inicia toda a sinfonia.
Agonia (melancolia fictícia sustentando os demônios que corroem o meu Ser)
8.28.2018
Semear
Descobrir e viver as verdades da vida... Tenho precisado muito disso. Não tenho conseguido caminhar muito bem meus próprios caminhos, sei lá. Me sinto tropeçando... Toda hora, e nas mesmas coisas.
E não tenho conseguido me expressar muito bem também. É como se o fluxo de consciência - imaginação, espontaneidade - tenha sido asfixiado de alguma forma. Me pergunto que parcela de culpa que tenho, e a parcela de influência externa nisso. E não sei dizer
Bachelard me tocou quando disse que "ninguém sabe que lendo revivemos nossas tentações de ser poeta. Todo leitor, um pouco apaixonado pela leitura, alimenta e recalca, pela leitura, um desejo de ser escritor. Quando a página lida é bela demais, a modéstia recalca esse desejo. Mas o desejo renasce."
Aí está um prognóstico favorável: o retorno à leitura pode ser ponte para aquilo que está perdido em mim. Lembro que em meses mais criativos (e intuitivos) meus dias eram recheados de densas literaturas. Preciso movimentar meu ser! Novas leituras, novas músicas, novos momentos.
Procuro nos cofres que me cercam brutalmente
Pondo em pânico os sentidos e desordem
Em caixas profundas, profundas
Como se não fossem mais deste mundo.
[Jules Supervielle]
Ao som de Odeon, do Narazeth.
E não tenho conseguido me expressar muito bem também. É como se o fluxo de consciência - imaginação, espontaneidade - tenha sido asfixiado de alguma forma. Me pergunto que parcela de culpa que tenho, e a parcela de influência externa nisso. E não sei dizer
Bachelard me tocou quando disse que "ninguém sabe que lendo revivemos nossas tentações de ser poeta. Todo leitor, um pouco apaixonado pela leitura, alimenta e recalca, pela leitura, um desejo de ser escritor. Quando a página lida é bela demais, a modéstia recalca esse desejo. Mas o desejo renasce."
Aí está um prognóstico favorável: o retorno à leitura pode ser ponte para aquilo que está perdido em mim. Lembro que em meses mais criativos (e intuitivos) meus dias eram recheados de densas literaturas. Preciso movimentar meu ser! Novas leituras, novas músicas, novos momentos.
Procuro nos cofres que me cercam brutalmente
Pondo em pânico os sentidos e desordem
Em caixas profundas, profundas
Como se não fossem mais deste mundo.
[Jules Supervielle]
Ao som de Odeon, do Narazeth.
4.05.2018
Grito de Paz
Tenho sentido que me apaixonei demais pela primavera. O toque novo, de sensações que só ressurgem na época de florescimento.. Um florescimento específico. Aquele da primavera. Mas há tanto que nasce no outono! Assim como há tanto que morre na primavera... Ah!
O paradoxo da paixão (que tem me deixado atônita) é que ela deixa a percepção turva. Acabo não vivendo o outono por ter saudade da primavera. E que coisa, né? O outono tá aqui já. Não posso voltar pra primavera, no seu próprio tempo ela vai voltar. Será que eu me adapto? Será que consigo transformar a minha forma de sentir a nova estação?
Ah..
4.04.2018
Lembranças: Saudade
Me sinto em vários pedacinhos. Não é como se fossem
separáveis, mas sei que são diferentes. E não é como se eu pudesse ter só
alguns ou só outros. São todos ao mesmo tempo, num tom usual que chamo de “eu”.
Tem um pedaço que adoraria um vinho agora. Tem outro que não para de vibrar
toda vez que me lembro da intenção de desenhar. E tem alguns que faltam.
Tenho lembranças das reações deles. Conheço os padrões. Mas
minhas ideias são tão... Previsíveis! Queria ter a sensação espontânea que
aquela parte me dá. A relação estreita com as situações reais; o toque, a fala,
a simples troca de sorrisos. São pedacinhos que, se eu tento colocar outras
coisas, não encaixa. É dissonante. Não consigo criar ou transformar eles com a
onipotência que tenho em relação à tantos outros pedaços tão meus.
Mesmo não tendo nada pra preencher, o vazio não perde a
expectativa. Eu sei que tem o encaixe perfeito: e eu sei que logo mais ele
virá. Ele estará. Mas mesmo com essa certeza (as vezes um tanto quanto
incerta), aquele desgosto, aquela melancolia... Não adianta. Não consigo fazer
sumir. Não dá.
12.01.2017
Lembranças: Contiguidade de (re)vidas
Amanheci chorosa, envolta numa revolta que desconhecia.
O que sabia era que me desolava;
Nessas tortuosas desenvolturas condicionais,
Fora-me tirado o conforto da minha estabilidade,
E clamei pelo retorno, só que o espaço que antes ocupara,
Lá não estava mais.
Superei.
Cresci comprometida com os casos perceptíveis,
Associando esses descasos compartimentais,
Fascinou-me tanta informação disseminada,
Fui entregue às ondas das tais gnoses
Num vaivém contínuo
Extasiante.
Morri angustiada.
Descobri que não controlava o refluxo,
Mas que também não me era permitido dele desistir.
Definhei.
E como todo o biótico,
Impregnei um solo fértil,
E num rebuliço a malgrado fui deslocada,
Já que à materialidade aquelas ideias eram daninhas.
Excretaram-me.
Não tinha mais meu lugar:
Não tinha mais meu ser.
Chorei.
11.25.2017
Desaguando em Newén e Reciprocidade
Há algumas semanas tenho sido rondada por raciocínios que parecem chegar na mesma foz: hahahha (olha eu usando metáforas geográficas) "afluentes que têm desaguado num oceano que desconheço". É como se eu pudesse perceber a direção do fluxo sem conseguir discernir o destino exato.
Hoje de manhã tive a experiência fantástica de me deleitar na pesquisa. Entre Walter Benjamin, estética musical e ato criativo, cheguei nos Mapuche. Já havia ouvido falar deles no meu primeiro semestre da faculdade, por um professor de metodologia de ensino em Geografia. Lembrei dele, lembrei da aula, lembrei do exemplo do tambor Mapuche. E, ah! Como é incrível sentir prazer em pesquisar algo.
Ouvi Calle 13. Conheci o Walter Burle Max, compositor brasileiro (por conta de um artigo científico, olha só!) e senti saudade do Villa Lobos. Na verdade nunca parei de fato pra ouvir - até hoje. Se quiser, ouça também: os 5 prelúdios de 1940 (tocado pelo José Antônio Escobar). Não sei se prefiro.. a tensão do primeiro prelúdio pra semi-euforia do segundo, ou clima mais primaveril do quinto prelúdio. Mas é por aí!
A sensação de segurança... Hãm, certeza? Certeza talvez seja a palavra. A sensação de certeza de estar fazendo o que eu queria trouxe sentimentos incríveis. Nem vou me propor a descrevê-los com rigor. Finalmente escrevi algo. Ah!
Tem escritas soltas por papéis no meu quarto. Tem palavras-chave de muitos raciocínios complementares que vão surgindo... E dialogando entre si. Tem pessoas emergindo no meu cotidiano que estão integrando mais ainda tudo isso. Tem muitos momentos - solitários ou coletivos - completando sentimentos, percepções, ideias [...] A vida têm acontecido. E eu estou acompanhando na medida do possível. Talvez em breve eu consiga transpor nas possibilidades da linguagem essa foz misteriosa.
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