7.12.2017

O Gato de Schrödinger e minha Interação Social


Me sinto à margem das interações sociais, distante de algo que gostaria de estar perto, mas meus traços de personalidade não condizem com essa possibilidade. E naquele fluxo intenso de perguntas e respostas, chego naquele lugar: nenhum.

Gosto de analisar dados. Entender como as coisas funcionam, o que levam elas a funcionarem. Porém, em determinado aspecto, minha análise parece sempre envolta em determinantes subjetivos que eu desconheço. E como proceder?

Esse texto parece não estar ficando claro. O que é mais estranho (ou cômico?) ainda. Queria expor aqui a minha impossibilidade de tomar atitudes em relação à interação social. E na tentativa de começar pelo sentimento, me perdi. (Ou foi na tentativa de fazer o outro entender? Oh!)

É sempre assim. Louvo aquela racionalidade por me propiciar momentos tão lúcidos, mas é só chegar os inebriantes sentimentos que ela de pouco serve - à mim, no caso. 

O Gato. 

O caso do gato é estar morto e estar vivo ao mesmo tempo - tal qual, talvez, seja meu ser (não) social. Acho que, profundamente, estou esperando a caixa ser aberta. Só que... Densamente, sei que ela está tão aberta, quanto fechada. 

E chega o silêncio do outro, me observando. Estava tão bom observar ele, antes de eu notar as breves respirações. Não, não olhe pra mim. Não olhe pra mim pois não saberei como reagir. Afinal, quando eu for falar com você, o gato estará vivo, ou estará morto? Eu estarei em você, ou você tentará estar em mim? 

6.08.2017

Eu?

Lapidei dentro de mim um muro
Do outro lado deixei meu ser,
Moldei-me aqui ao que queria estar;
E automatizei até natural parecer.

Agora é confuso o espontâneo,
As linhas ora tênues se entrelaçaram num labirinto
no qual acredito há tempos ter me perdido

Que angustiante tangenciar seres que de mim mesma escondi

9.07.2016

Lembranças: Canção de Êxtase

Sentados em uma roda, discutiam teorias e concepções do universo. O tempo ou o espaço, muito além daquele diálogo filosófico, era o não percebido: a grama seca e macia, o sol aquecendo de leve por de trás das nuvens, o cenário - Ah! O cenário. No horizonte verdes vales cercados por um gostoso sentimento de tranquilidade, junto com a visão e o som das águas se encontrando na lagoa ao lado. O vento, suave, também colaborava com a sinfonia quando tocava a folha das árvores.

Não tinha nada a ver com os buracos negros ou as variadas dimensões em pauta, mas aquele momento - naquele lugar. "Já está na hora da aula", um disse. Todos se levantaram e se dirigiram à seus destinos. Pensativos, porém, noutro lugar senão o da aula. "Que momento... Estonteante" pensavam, em uníssono, mesmo sem expressá-lo em palavras. "Como é bom viver".

Enquanto isso, o universo continuava lá. A grama, o lago, o vento e as árvores. Tocando a mesma melodia - a qual uns chamam de vida - que os rapazes, sem notar, participaram.

O que melhor do que fazer parte dessa bolha dimensional de sentidos, para sentir vontade de viver?

8.07.2016

O dia em que eu me amei

Sempre gostei de receber massagem, receber carinho. Aquela sensação de conforto, acompanhada do clássico arrepio na coluna vertebral que relaxa até a imaginação. O engraçado é: nunca tinha me dado conta que poderia massagear a mim mesma. Me auto curar, me auto relaxar, me auto amar.

Até que, num sábado à noite solitário, depois de um ótimo dia solitário, senti vontade de curtir um som. Era quase meia noite, eu não sentia sono, e fazia tempo que não comia (fiquei preocupada com isso), mas não sentia fome. Coloquei meu som favorito do momento, desliguei a luz, deitei na cama. Fechava os olhos, abria. Virava de um lado, virava doutro. Queria não pensar – como faço sempre quando deito na cama – queria só curtir o som. Nessa vontade, acabei tendo o raciocínio do porque gosto das músicas que gosto (bem interessante por sinal).
Tentando desesperadamente curtir o som comecei a regular minha respiração, dando toda atenção ao meu diafragma. Deitei de barriga para cima, flutuei um pouco nas reviravoltas da música. Midnight Mushrumps é estonteante. Vinha um pensamento, tentava ouvir meus batimentos. Respirava mais fundo. Por que é tão difícil relaxar?
Aí veio a ideia genial: como seria bom uma massagem facial agora. E eu não tenho duas mãos? E eu não estou a deriva aqui nessa cama? Por que eu não faço isso? E fiz. E foi bom. E foi muito bom. Eu sabia o que eu queria; eu sabia onde queria. Poder controlar a intensidade e a periodicidade dos movimentos me deixava numa satisfação animadora. Começou a doer o meu braço – eu já estava bem dolorida no dia, pois viajei no dia anterior – então levantei, peguei o creme de massagem que estava no banheiro, fiz massagem no braço. Fiz massagem no outro braço. E o som continuava.
Acariciei meus ombros, que, tadinhos, estavam tensíssimos. Tive aqueles arrepios na dorsal que pareciam soltar do tecido aos ossos. Às vezes eu “travava” (complicado descrever sentimentos: sentia numa fração de segundo, e vou demorar um parágrafo pra explicar). Parecia que por ser eu fazendo, perdia a graça. Não era tão bom. Era a droga de pensamento me invadindo, e eu tinha que fazer barricadas mentais pra não me deixar levar. Era um vaivém louco, rápido, instantâneo. Ainda bem que tinha o som. Chegava num reboliço confuso que eu só pensava: “PARA! Olha ali, o som ta ali, curtir o som. Curtir o som. Curtir. O. Som.” as vezes funcionava bem, as vezes não. De qualquer forma consegui me acalmar, consegui me curtir. E, ah!, como é bom poder se curtir.